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Dicas para investir no “país do futuro”

Gazeta do Povo, 13/10/2009, Franco Iacomini


Copa, Jogos Olímpícos, pré-sal, investment grade. Uma superposição de fatores faz com que o momento para aplicar no Brasil seja mais promissor do que nunca. Especialistas dão dicas de como fazer isso.

Como será o Brasil que vai receber a Copa do Mundo de 2014 e os Jogos Olímpicos de 2016? Ao que tudo indica, será um país mais rico e estável do que foi no passado, com menos desigualdade social e um líder importante no cenário internacional. É verdade que prospectos como esse foram comuns no passado – em 2001, por exemplo, um relatório da Agência Central de Inteligência dos Estados Unidos (a CIA) já adiantava que o Brasil se tornaria uma potência emergente no hemisfério e um dos grandes produtores globais de petróleo (isso anos antes de a Petrobras descobrir óleo na camada pré-sal). A diferença é que, desta vez, a previsão está mais perto de se tornar realidade do que jamais foi. Sendo assim, o que o cidadão/investidor pode fazer para aproveitar esse bom momento e crescer junto com o país?

Quem está pensando em testar na prática sua veia de empreendedor tem alguns setores promissores. O mais óbvio é o de hospitalidade – hotéis, restaurantes e bares terão no Brasil olímpico e na Copa uma grande oportunidade. E ela não se limita às cidades-sede. “Pense, por exemplo, no Cânion do Guartelá, aqui perto de Curitiba”, diz o economista Jackson Peters, professor do Estação Business School. “Ele tem potencial para atrair turistas que vierem a Curitiba para ver a Copa, mas é preciso que os prestadores de serviço da região invistam na qualidade para atender a uma demanda muito exigente.”


Renda

Outros setores da economia devem ganhar ânimo em consequência do crescimento econômico. O aumento da renda das famílias brasileiras deve gerar bons negócios. “Como essa elevação de renda tem ocorrido na base da pirâmide social, a massa de consumo dessa turma deve crescer”, arrisca Friedbert Kroeger, especialista em planejamento financeiro pessoal. “Quem tem um produto ou serviço a oferecer para as classes C e D tem boas oportunidades pela frente”, diz.

Tanto Kroeger quanto Peters temem, no entanto, que esse cenário positivo possa se desmanchar nos próximos tempos. “Está tudo tão bom que eu até desconfio”, resume Kroeger. Ele acredita que muitos dos fatores positivos para o Brasil são internos, e podem continuar a influenciar positivamente os negócios mesmo que a crise volte a afetar os mercados internacionais.


Política

Mas Kroeger vê um risco grande no ambiente político. Para entender a influência desse fator, basta lembrar do Brasil do passado. Quando Lula começou a aparecer como favorito nas pesquisas de opinião, em 2002, vários índices econômicos começaram a se deteriorar. Isso aconteceu porque investidores (nacionais e estrangeiros) temiam que, quando eleito, ele adotasse uma política de privatizações, contrária aos seus interesses.

Antes ainda, em 1986, a inflação estava sob controle graças ao congelamento de preços do Plano Cruzado. Os economistas da época defendiam que era hora de liberar os preços, mas aproximava-se uma eleição – e o presidente Sarney queria o sucesso de seus aliados nas urnas. O congelamento foi mantido e medidas demagógicas fizeram desmoronar o projeto de controlar a inflação. “Esse é um risco. Será que a política não vai se sobrepor à estabilidade econômica?”, pergunta Kroeger.

Peters também teme pelo ambiente eleitoral de 2010. “Tem política no meio, e esse sempre é um fator difícil de prever. A instabilidade política pode derrubar todo esse momento bom”, diz. “Otimismo demais sempre traz um certo risco.”

Matéria publicada na Gazeta do Povo, em 13 de outubro de 2009.
http://portal.rpc.com.br/gazetadopovo/economia/conteudo.phtml

 
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